Argentina: “Paciência não nos traz renda”, responde agro ao ministro da economia sobre retenciones
# Tensão entre produtores e governo argentino: impactos dos impostos no agro
A relação entre o setor agrícola argentino e o governo Milei enfrenta momento crítico devido à continuidade das “retenciones”, impostos de exportação que afetam diretamente a competitividade e rentabilidade do agronegócio no país vizinho.
**O embate sobre as retenciones**
O ministro da economia argentino, Luis Caputo, gerou polêmica ao pedir “paciência” ao setor agrícola, afirmando que “as retenciones se vão durante a presidência de Javier Milei” e que “eliminar as retenciones é uma obsessão deste governo”. A declaração veio após publicação sobre resultados positivos dos setores de energia e mineração, quando foi questionado sobre a situação desfavorável do agronegócio.
**A resposta do campo argentino**
A reação do setor produtivo foi imediata e contundente. Ignacio Kovarsky, presidente da Confederação das Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), resumiu o sentimento dos produtores: “A paciência não te dá renda”. Ele destacou que o agronegócio tem sido o setor que mais contribui para a economia argentina durante o governo Milei e que a situação chegou ao limite de sustentabilidade.
**Impactos no mercado internacional**
A redução temporária das retenciones entre março e junho de 2025 havia posicionado a Argentina como protagonista importante no comércio global de soja. Com o retorno das taxas aos valores anteriores em 1º de julho, a competitividade argentina foi comprometida, afetando diretamente o volume de negócios.
**Efeitos nas exportações e vendas**
Os dados apresentados pela Agrinvest Commodities mostram claramente o impacto: após um período de grande atividade comercial, quando a Argentina chegou a negociar 81 cargas de soja com a China (contra 151 do Brasil), as vendas argentinas despencaram. Nas últimas negociações, de aproximadamente 30 cargas compradas pela China, apenas duas eram argentinas. O especialista Eduardo Vanin destaca que “o desconto da soja argentina sumiu, e o farmer selling por lá secou nos últimos dias”.
**Perspectivas para o agronegócio argentino**
A ministra da Segurança argentina, Patricia Bullrich, durante encontro com a Sociedade Rural Argentina, tentou acalmar os ânimos reforçando que o governo tem consciência da importância do agronegócio como motor da economia. Entretanto, o setor continua pressionando por uma solução definitiva para a questão das retenciones, que há décadas afeta a competitividade do campo argentino.
**Conclusão**
O impasse entre o governo Milei e o setor agropecuário argentino sobre as retenciones evidencia os desafios de conciliar ajuste fiscal com estímulo à produção. Para o Brasil, esta situação pode representar tanto oportunidades quanto alertas sobre políticas tributárias que afetam o agronegócio. A evolução deste cenário deve ser acompanhada com atenção pelos produtores e exportadores brasileiros, que podem ganhar ou perder espaço no mercado internacional dependendo das decisões tomadas no país vizinho.
**Fonte: Notícias Agrícolas**
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