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Amazônia na Passarela: Como Empreendedores Paraenses Revolucionaram o São Paulo Fashion Week 2024

O São Paulo Fashion Week 2024 ganhou um novo significado quando as passarelas se transformaram em território amazônico. Na quinta-feira (16), o estilista Leandro Castro apresentou a coleção Gaiafilia, um desfile que conectou a moda contemporânea às riquezas da floresta amazônica, trazendo pela primeira vez empreendedores de Santarém (PA) para o maior evento de moda da América Latina.

A coleção, cujo nome é um neologismo que significa “amor à terra”, nasceu de uma parceria inédita entre o estilista e cinco marcas paraenses apoiadas pelo Sebrae: Nunghara Biojoias, Coomflona, Cuias Aíra, Biojoias Natureza Viva e Trançados do Arapiuns. Este projeto é fruto do programa Bioma Amazônico, iniciativa do Sebrae Nacional coordenada por Walter Rodrigues, que há anos trabalha para traduzir as identidades visuais e materiais dos territórios brasileiros em produtos contemporâneos.

Sustentabilidade Como Prática, Não Discurso

A coleção apresentou 30 looks agênero, criados com materiais 100% amazônicos: palhas da comunidade Coroca, cuias artesanais, madeiras de manejo florestal sustentável, acessórios feitos de sementes nativas e látex amazônico extraído da seiva da seringueira. Cada peça traduziu a floresta em forma, textura e cor, demonstrando que a sustentabilidade pode ser prática e não apenas discurso.

“A moda como arte tira da terra o que ainda não foi visibilizado”, explica Leandro Castro. “Trabalhar com as comunidades me ensinou o tempo das mãos. Às vezes o material só existe quando a natureza pode oferecer. Não é o tempo que eu quero, é o tempo dela.”

Histórias de Transformação

Por trás de cada peça exibida na passarela, há histórias inspiradoras de empreendedorismo amazônico. Natashia Santana, fundadora da Nunghara Biojoias, ainda se emociona ao relembrar o momento: “Ver o trabalho da Nunghara na passarela do São Paulo Fashion Week é algo que ainda estou assimilando. É como ver a floresta ganhar forma, brilho e reconhecimento.”

As peças da Nunghara foram tecidas com sementes da saboneteira de macaco, que lembram pérolas negras e pesam mais de 12 quilos. “São roupas inteiras feitas só de semente”, destaca Natashia, que credita ao Sebrae o suporte fundamental desde o início do negócio.

Arimar Feitosa Rodrigues, da Coomflona (Cooperativa Mista da Flona Tapajós), trouxe para a coleção mantas de látex – o “couro ecológico” amazônico – e peças de movelaria. “A parceria com o Sebrae vem de longa data e agora se fortalece. É um casamento que gera aprendizado e novos produtos”, explica.

Inovação e Tradição Ancestral

Nilena Guimarães, da Associação Trançados do Arapiuns, representou mais de duzentas artesãs no evento. Ela trabalhou com fibra de tucumã em tons natural e de jenipapo: “Foi uma sensação única, me emocionei. Ver o nosso produto valorizado e colocado dentro de uma passarela reconhecida mundialmente foi maravilhoso.”

O projeto vai além da moda. Walter Rodrigues explica que o programa Iconografia Local conecta 19 empreendimentos paraenses, unindo comunidades que antes nem se conheciam para desenvolver produtos com valor agregado. “Na Amazônia, não falamos de desenvolvimento sustentável, e sim de envolvimento sustentável, que é aprender com quem cuida da floresta há séculos e construir juntos algo contemporâneo.”

Legado para o Futuro

O impacto do projeto será eternizado no livro Bioma Amazônico, que será lançado em novembro durante a COP30, em Belém. Esta publicação documentará todo o processo de colaboração entre design contemporâneo e saberes tradicionais amazônicos.

A presença destes empreendedores no SPFW 2024 representa mais que um momento de moda – é a consolidação de um novo modelo de negócio que valoriza a biodiversidade, os saberes ancestrais e a economia criativa amazônica. Como resume Natashia Santana: “É mostrar que o Oeste do Pará também produz design, inovação e beleza com alma.”

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

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