Café da Chapada de Minas conquista Indicação Geográfica e reforça qualidade dos cafés brasileiros
O café brasileiro ganhou mais um importante reconhecimento com a conquista da Indicação Geográfica (IG) pelo café da Chapada de Minas. O registro, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), marca um momento histórico para a região e consolida o Brasil como referência mundial em cafés especiais com origem controlada.
A nova IG abrange 22 municípios do nordeste de Minas Gerais, incluindo Água Boa, Angelândia, Capelinha, Carbonita, Diamantina, Minas Novas, Novo Cruzeiro e Turmalina. Esta conquista eleva para 22 o número de indicações geográficas reconhecidas no país especificamente para o café, demonstrando a diversidade e qualidade da cafeicultura nacional.
O que torna o café da Chapada de Minas especial?
O reconhecimento como Indicação de Procedência está diretamente relacionado às características únicas do território. A região possui condições naturais específicas – como altitude, clima, solo e relevo – que, combinadas com técnicas tradicionais de cultivo e processamento desenvolvidas pelos produtores locais, conferem ao café características sensoriais distintivas e reconhecida qualidade.
Carmen Lydia Meirelles, presidente do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) há oito anos, celebra a conquista: “O café trouxe uma nova mentalidade para os produtores e, hoje, sermos uma Indicação de Procedência é uma alegria muito grande”. Segundo ela, este reconhecimento consolida um trabalho de anos em parceria com o Sebrae, incluindo a participação em eventos como a Semana Internacional do Café para demonstrar a qualidade dos grãos da região.
Impacto econômico e social das Indicações Geográficas
As Indicações Geográficas representam muito mais que um selo de qualidade. Para os produtores, significam:
- Valorização do produto no mercado
- Diferenciação competitiva
- Proteção da reputação regional
- Fortalecimento da identidade territorial
- Desenvolvimento sustentável da região
O Sebrae, parceiro histórico dos pequenos cafeicultores, atua em mais de 40 territórios produtores de café no Brasil, com atendimento direto a 5,8 mil produtores em todo o país. Esta atuação é fundamental considerando que o Brasil possui cerca de 300 mil propriedades rurais cafeeiras, das quais aproximadamente 70% pertencem à agricultura familiar.
Brasil como potência em cafés com origem controlada
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, destaca que “o café com origem controlada se tornou um motor de transformação social, econômica e ambiental”. Para ela, o apoio à gestão das IGs e à adoção de práticas sustentáveis é fundamental para atender às crescentes exigências socioambientais do mercado internacional.
Com a inclusão do café da Chapada de Minas, o número total de IGs nacionais sobe para 156, sendo 124 do tipo Indicações de Procedência (IP) e 32 Denominações de Origem (DO). Este crescimento demonstra o amadurecimento do sistema brasileiro de proteção e valorização de produtos com características territoriais específicas.
A conquista da IG pela Chapada de Minas representa não apenas o reconhecimento da qualidade de seus cafés, mas também um exemplo de como a organização produtiva, o apoio técnico e a valorização da origem podem transformar territórios e gerar desenvolvimento sustentável para as comunidades rurais.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias