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China promete comprar 12 MMT de soja dos EUA, mas volume levanta dúvidas no mercado

# **Acordo China-EUA: O que os 12 MMT de soja significam para o mercado global**

Produtores rurais e empresas do agronegócio estão acompanhando atentamente o novo capítulo nas relações comerciais entre China e Estados Unidos. O recente anúncio de um acordo de compra de soja traz implicações importantes para o mercado global e, especialmente, para o produtor brasileiro.

## **Entenda o anúncio e suas contradições**

O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou que a China se comprometeu a comprar 12 milhões de toneladas métricas (MMT) de soja dos EUA ainda este ano, além de firmar um acordo mínimo de 25 MMT anuais pelos próximos três anos.

Porém, **especialistas do setor identificaram pontos contraditórios neste acordo**. Não ficou claro quando esses embarques ocorrerão, um detalhe crucial para o mercado. Normalmente, o que a China compra entre outubro e novembro só é recebido entre janeiro e fevereiro, mesmo em caso de embarque imediato.

## **China tem estoques elevados**

Um ponto importante a considerar é que **a China atualmente tem pouca necessidade de soja adicional**. O país asiático acumulou estoques elevados com embarques recordes do Brasil, Argentina e outros fornecedores nos últimos meses.

O volume de 25 MMT anuais estabelecido no acordo representa, na verdade, uma redução em relação aos volumes históricos:

– **2024**: China importou 22,13 MMT dos EUA
– **2023**: China importou 23,45 MMT dos EUA
– **2022**: China importou 28,74 MMT dos EUA
– **2021**: China importou 31,62 MMT dos EUA

## **Impactos para o Brasil**

Para o produtor brasileiro, este cenário traz **implicações mistas**:

1. **Efeito imediato nos preços**: A soja brasileira já registrou aumento, subindo para R$ 145 por saca, contra R$ 140 anteriormente.

2. **Oportunidade de curto prazo**: A indecisão e as negociações prolongadas abrem espaço para a soja brasileira ganhar terreno.

3. **Menor dependência chinesa da soja americana**: A longo prazo, o acordo com volume menor pode indicar que a China está diversificando fornecedores, potencialmente favorecendo o Brasil.

## **O que os especialistas dizem**

Analistas como Ronaldo Fernandes classificam o anúncio como “mais do mesmo”, destacando que só após algo concreto, assinado, ou confirmado pela própria China, poderemos ter certeza do real impacto.

**”A China não depende da soja americana como dependia lá atrás”**, explica Fernandes, lembrando que o cenário atual é muito diferente da primeira guerra comercial que começou em 2018.

## **O que observar nos próximos dias**

Produtores rurais e empresas do agronegócio devem ficar atentos a:

– **Confirmação oficial pela China** do acordo anunciado
– **Comportamento dos preços** da soja brasileira e americana
– **Novos movimentos diplomáticos** entre as duas potências
– **Volumes efetivos de embarque** nos próximos meses

*Fonte: Notícias Agrícolas*

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