Skip links

Protocolo de Nagoia: Inclusão do café pode comprometer toda a cadeia produtiva nacional, destaca o CNC

# Protocolo de Nagoia ameaça competitividade do café brasileiro

A possível inclusão do café brasileiro no Protocolo de Nagoia gera preocupação entre produtores e especialistas do setor cafeeiro nacional. Este acordo internacional, que visa o compartilhamento de recursos genéticos, pode comprometer décadas de investimento em pesquisa e desenvolvimento que fizeram do Brasil o maior produtor e exportador mundial de café.

**O que é o Protocolo de Nagoia e seu impacto na cafeicultura**

O Protocolo de Nagoia, adotado em 2010 e em vigor desde 2014, é um acordo internacional sob a Convenção sobre Diversidade Biológica que regulamenta o acesso e compartilhamento de recursos genéticos. Embora o Brasil tenha assinado o acordo em 2011, sua implementação avançou apenas recentemente, com a criação de um grupo interministerial para regulamentar atividades relacionadas à pesquisa e desenvolvimento com recursos genéticos da biodiversidade.

**O patrimônio genético nacional em risco**

O maior banco de germoplasma de café do Brasil está localizado na Fazenda Santa Elisa, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Esta coleção, iniciada na década de 1930, abriga aproximadamente 20 mil acessos, incluindo espécies raras e em extinção. O impacto deste patrimônio é extraordinário: cerca de 90% das variedades de café cultivadas no Brasil e 70% das plantadas mundialmente foram desenvolvidas pelo IAC.

**Posição do Conselho Nacional do Café**

O Conselho Nacional do Café (CNC) tem manifestado firme oposição à inclusão do café no Protocolo de Nagoia. Segundo a entidade, compartilhar irrestritamente o patrimônio genético e o conhecimento acumulado sobre cafeicultura comprometeria a competitividade do setor brasileiro, que gera aproximadamente 8,4 milhões de empregos e está presente em 1.983 municípios de 17 estados brasileiros.

**Diferencial competitivo do Brasil**

Diferentemente de culturas como trigo ou arroz, o café não está incluído no Sistema Multilateral do Tratado Internacional sobre Recursos Genéticos Vegetais para a Alimentação e Agricultura da FAO. Esta exclusão permite que o Brasil mantenha seu diferencial competitivo no desenvolvimento de variedades adaptadas a diferentes condições climáticas e resistentes a doenças.

**Anos de investimento e pesquisa em jogo**

O desenvolvimento das cultivares brasileiras representa décadas de investimento científico e financeiro. Segundo Júlio Mistro, pesquisador e diretor do Centro de Café do IAC, o Brasil nunca realizou intercâmbio de germoplasma com outros países, o que evidencia a importância estratégica deste material genético para a manutenção da liderança brasileira no setor.

**Conclusão: um patrimônio a ser preservado**

A manutenção do patrimônio genético do café brasileiro é uma questão estratégica para o país. Transferir esses conhecimentos através do Protocolo de Nagoia poderia impactar negativamente toda a cadeia produtiva nacional, desde a pesquisa até a comercialização. A decisão sobre a inclusão do café neste acordo internacional terá consequências de longo prazo para o setor que é um dos pilares econômicos e sociais do Brasil.

**Fonte: Notícias Agrícolas**
**Produtor rural, conte com a Irmãos Resende Contabilidade para esclarecer dúvidas sobre gestão, obrigações e oportunidades no Agronegócio. Estamos prontos para apoiar sua produção com segurança e estratégia.**

Leave a comment