Paraná: Uma Mesa Completa com 24 Tesouros Gastronômicos de Indicação Geográfica
O Paraná se consolidou como o líder nacional em produtos com Indicação Geográfica (IG), contando com 24 registros que transformam alimentos cotidianos em verdadeiros ativos econômicos e culturais. Essa diversidade permite uma experiência gastronômica única: é possível montar um cardápio completo, do café da manhã ao jantar, usando exclusivamente produtos que carregam origem, tradição e reconhecimento oficial.
Uma Jornada Gastronômica Paranaense
O dia pode começar com frutas especiais como a ponkan de Cerro Azul, as uvas finas de Marialva e o morango do Norte Pioneiro, acompanhadas pelos diversos méis produzidos em diferentes regiões do estado. Um chimarrão preparado com a tradicional erva-mate São Matheus complementa o despertar, junto à broa de centeio de Curitiba e os saborosos queijos de Witmarsum, finalizados com a cracóvia de Prudentópolis e cafés premiados do Norte Pioneiro ou de Mandaguari.
No almoço, a tradição ganha destaque com pratos como o barreado do litoral, precedido pela cachaça de Morretes e incorporando o urucum de Paranacity. A famosa carne de onça de Curitiba e os vinhos de Bituruna reforçam a conexão entre gastronomia e território, que se estende ao café da Serra de Apucarana.
À tarde, entram em cena as tortas de Carambeí e as balas de banana de Antonina. À noite, as ostras de Cabaraquara ampliam essa experiência gastronômica, que pode ser finalizada com um relaxante chá de camomila de Mandirituba.
Mais que um Selo: Uma Estratégia de Desenvolvimento
As Indicações Geográficas, concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), representam muito mais que um simples selo. Elas atestam produtos com características únicas vinculadas à sua origem e constituem uma estratégia de valorização econômica, proteção legal e posicionamento de mercado.
Como explica Maria Isabel Guimarães, consultora do Sebrae/PR, “a IG mobiliza toda a cadeia produtiva e transforma um produto em ativo do território. Os impactos vão além da produção: alcançam o comércio local, o turismo e serviços como design, rotulagem e pesquisa”.
Histórias de Sucesso
O trabalho organizado com IGs no Paraná começou em 2009, com o mapeamento de 35 produtos com potencial. O primeiro registro veio em 2012, com os cafés especiais do Norte Pioneiro. Jonas Aparecido da Silva, produtor e presidente da Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (Acenpp), conta que a família trabalha com café há mais de um século.
“A Indicação Geográfica mudou muita coisa na nossa vida. Trouxe organização, assistência técnica, cuidado com a parte legal e financeira. Hoje a gente vende mais do que café: vende história, conteúdo e identidade”, afirma Jonas.
Tradição e Inovação no Campo
Franciele Rhenbach Hassel Bauer encontrou no campo um propósito de vida. Formada em Agronomia, ela permaneceu na propriedade familiar em Manfrinópolis e transformou a produção de leite em queijos artesanais. Com a conquista da IG para o queijo colonial do Sudoeste em 2025, ela destaca: “A Indicação Geográfica é uma realização. O consumidor vem atrás, querendo conhecer, provar e entender a história”.
Gastronomia como Expressão Cultural
O chef Felipe Cavalcanti Zibetti de Souza, do restaurante Tekoa em Curitiba, utiliza produtos com IG em suas criações. Para ele, “gastronomia é expressão cultural. O que se come fala muito sobre quem somos”. Ao criar pratos como lasanha com ingredientes de diferentes IGs paranaenses, o chef busca traduzir o processo histórico de formação do estado.
Impacto Econômico e Cultural
Segundo Sérgio Medeiros, coordenador do Fórum Origens Paraná, produtos certificados podem alcançar preços até quatro vezes superiores, além de contar com proteção formal da receita ou modo de fazer. “Temos 24 tesouros no Paraná, produtos únicos que precisam ser contados primeiro para nós mesmos e depois para o Brasil e o mundo”, enfatiza.
Diversidade que Reflete o Estado
As IGs paranaenses espelham a diversidade geográfica e cultural do estado: litoral caiçara, campos gerais, Norte Pioneiro, Sudoeste, Vale do Ribeira, regiões de colonização italiana, alemã, ucraniana e holandesa. Cada território imprimiu sua marca nos modos de fazer, construindo um mosaico econômico e cultural único.
Os 24 produtos com IG do Paraná incluem: ostras do Cabaraquara, ponkan de Cerro Azul, broas de centeio de Curitiba, cracóvia de Prudentópolis, carne de onça de Curitiba, café de Mandaguari, urucum de Paranacity, queijo colonial do Sudoeste, cafés especiais do Norte Pioneiro, morango do Norte Pioneiro, goiaba de Carlópolis, mel de Ortigueira, queijos de Witmarsum, cachaça de Morretes, melado de Capanema, vinhos de Bituruna, mel do Oeste, barreado do Litoral, bala de banana de Antonina, erva-mate São Matheus, camomila de Mandirituba, uvas finas de Marialva, tortas de Carambeí e café da Serra de Apucarana.
O Paraná transformou seu território em estratégia e tradição em ativo econômico, provando que desenvolvimento regional pode nascer do respeito às raízes históricas e culturais.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias – Paraná